OUVE-ME!
Amei-te de longe, gritei teu nome, não me ouviste.
Mas hoje ao leres minhas palavras eu sei que sentiste.
Toda a ternura que te dei num conjunto de frases
Toda a emoção que reflito em ti por aquilo que dizes e fazes
Somos lareiras acesas, caladas na escuridão da noite
E nossas bocas um filme projectado em parede virgem
Vertigens de um passado, que não ficou apagado
Mas este livro de folhas brancas ficou agora aberto
Onde liberto o interior da minha alma desnudada
Quem dera poder dizer ser feliz para sempre
Pois o meu coração merecia provar todos os néctares do amor
Gesticulado em afecto, carinho, desejo e calor
Assim dois corpos se completam, por instinto, por vontade
Descobrindo a alma rebelde no seu interior
Bocas que se completam respirando o mesmo odor
No calor da noite sob a zumbido das ondas
Mergulho no teu perfume e sigo o meu novo rumo.
Celeste Leite