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sƔbado, 19 de outubro de 2013

Despedida



Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo 
que estĆ” onde as outras coisas nunca estĆ£o, 
deixo o mar bravo e o cĆ©u tranqüilo: 
quero solidĆ£o. 

Meu caminho Ć© sem marcos nem paisagens. 
E como o conheces? - me perguntarĆ£o. 
- Por nĆ£o ter palavras, por nĆ£o ter imagens. 
Nenhum inimigo e nenhum irmĆ£o. 

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada. 
Viajo sozinha com o meu coração. 
NĆ£o ando perdida, mas desencontrada. 
Levo o meu rumo na minha mĆ£o. 

A memória voou da minha fronte. 
Voou meu amor, minha imaginação... 
Talvez eu morra antes do horizonte. 
Memória, amor e o resto onde estarĆ£o? 

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra. 
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusĆ£o! 
Estandarte triste de uma estranha guerra...) 
Quero solidão.

CecĆ­lia Meireles